OS DISCÍPULOS estão perplexos. Jesus lhes disse: “Erguei os vossos olhos e observai os campos, que estão brancos para a colheita.” Eles olham na direção para onde Jesus está apontando, mas não veem nenhum campo branco, apenas verde — a cor da cevada que acabou de brotar. ‘Que colheita?’, eles provavelmente se perguntam. ‘Vai levar meses para começar a colheita.’ — João 4:35.
Mas Jesus não está falando de uma colheita literal. Em vez disso, está aproveitando a ocasião para ensinar a seus discípulos duas importantes lições sobre uma colheita espiritual — uma colheita de pessoas.
A conversa de Jesus com seus discípulos aconteceu no fim de 30 EC, perto da cidade samaritana de Sicar. Enquanto os discípulos entravam na cidade, Jesus ficou para trás próximo a um poço, onde falou de verdades espirituais a uma mulher que logo entendeu a importância de seus ensinamentos. Quando os discípulos voltaram, a mulher foi rapidamente a Sicar contar às pessoas as coisas maravilhosas que ela tinha aprendido. O relato dela despertou grande interesse, e muitos foram depressa até o poço para encontrar Jesus. Possivelmente foi nesse momento — enquanto Jesus olhava para os campos a certa distância e via uma multidão de samaritanos se aproximando — que ele disse: “Observai os campos, que estão brancos para a colheita.” Daí, para esclarecer que estava se referindo a uma colheita espiritual, não literal, ele acrescentou: “O ceifeiro está . . . ajuntando fruto para a vida eterna.” — João 4:5-30, 36.
Jesus estava convocando seus seguidores para uma colheíta espiritual, ele disse: o trabalho é urgente, “os campos . . . estão brancos para a colheita”, ele estava convocando seus seguidores à ação. Para enfatizar aos discípulos o grau de urgência, Jesus acrescentou: “Desde já o ceifeiro está recebendo salário.” Realmente, a colheita já havia começado — não havia tempo a perder! de fato, os trabalhadores se alegraram. Semeadores e ceifeiros ‘se alegrarão juntos’, disse Jesus. (João 4:35b, 36) Assim como o próprio Jesus deve ter se alegrado ao ver que “muitos samaritanos . . . depositaram nele fé”, seus discípulos sentiriam muita alegria à medida que trabalhassem de toda a alma na colheita. (João 4:39-42) Esse relato do primeiro século tem um significado especial para nós, porque ilustra o que está acontecendo hoje durante a maior colheita espiritual de todos os tempos. Você sabe quando essa colheita moderna começou? Quem participa nela?
Numa visão dada ao apóstolo João, Jeová revela que designou Jesus para liderar uma colheita mundial de pessoas. (Leia Revelação 14:14-16.) Nessa visão, Jesus é descrito como tendo uma coroa e uma foice. A “coroa de ouro na cabeça [de Jesus]” confirma sua posição como Rei reinante. A “foice afiada na [sua] mão” confirma seu papel como Ceifeiro. Ao dizer por meio de um anjo que “a colheita da terra está inteiramente madura”, Jeová enfatiza que o trabalho é urgente. De fato, “chegou a hora para ceifar” — não há tempo a perder! Em resposta à ordem de Deus de ‘meter a foice’, Jesus apanha sua foice e ‘a Terra é ceifada’ — ou seja, ocorre uma colheita de pessoas. Essa emocionante visão nos lembra mais uma vez que “os campos . . . estão brancos para a colheita”. Será que essa visão nos ajuda a saber quando essa colheita mundial começou? Sim!
Visto que a visão de João em Revelação capítulo 14 retrata Jesus, o Ceifeiro, usando uma coroa, isso indica que sua designação como Rei em 1914 já havia ocorrido. (Dan. 7:13, 14) Algum tempo depois disso, ordena-se que Jesus comece a colheita. A mesma sequência de acontecimentos é vista na parábola de Jesus sobre a colheita do trigo, na qual ele diz: “A colheita é a terminação dum sistema de coisas.” Assim, a época da colheita e a terminação deste sistema começaram no mesmo período — 1914. Mais tarde “na época da colheita”, ou seja, durante esse período, começou a colheita propriamente dita. (Mat. 13:30, 39) Olhando para trás, de nossa condição privilegiada no tempo, podemos ver que a colheita começou alguns anos depois que Jesus se tornou Rei.